quinta-feira, 2 de agosto de 2012

xeque-mate

pega o seu “não sei” e enfia no olho do teu cú, eu devia ter dito.
mas não, como idiota que sou eu implorei na última, não bem última, mas última na tentativa, pergunta humilhante que eu fazia na carência bizarra de ouvir alguma vez que você se importava comigo.
“então é isso?” eu dizia em seguida e você revirava os olhos. seu babaca, eu não te amo, se toca! o mundo gira em torno das minhas bolas. eu ouvia do seu olhar, mas a esperança de que isso na se convertesse em palavras era maior do que qualquer outra coisa. era maior até do que o meu amor próprio e do amor que eu sentia por você - aquele amor filho-da-puta que só me serviu de cova, me enterrou lá no fundo dela e cuspiu na minha cara antes de jogar a areia nojenta e úmida na minha fuça.
“vou embora, cansei dessa conversa chata”
“então, eu sou chato”
“não é você, é a conversa”
“a minha conversa é chata por quê?”
“você quer ouvir toda hora que eu te amo, você já não sabe?”
não, eu não sabia.
ás vezes eu pensava que ouvir um eu-te-amo era bom, melhor ainda quando ele vinha em forma de demonstração. como eu não tinha o meu eu-te-amo demonstrado, queria pelo menos ouvir. e você nunca me entendeu. você nunca fez esforço válido pra me entender. você só queria o seu bem e que se fodesse o meu. afinal, eu só servia pra isso, pra te satisfazer.
“vai, então”
“é o que eu vou fazer”
“saiba que se você for... bom, vc já sabe.”
“ o que vai acontecer”
“vai acabar tudo”
“chantagista, você.”
e você não ia.
custava dizer: eu te amo.
custava demonstrar mais?
custava me respeitar e tentar me fazer feliz?
“já que você não me ama, diz na minha cara”
“eu nunca vou dizer isso”
“por quê?”
“por que eu te amo”
então eu conseguia ouvir o meu sofrido eu-te-amo
quer saber? eu nunca soube decifrar se você me amava de verdade ou não. o que te impedia de dizer na minha cara que não queria mais continuar comigo? tá. eu sei. talvez você quisesse me ter apenas na palma de suas mãos o tempo todo, pra hora que você precisasse.
felizmente eu consegui decifrar o seu jogo antes do xeque-mate.
ganhei.





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