terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Cuidado com a... Clemilda, Clemilda te pega...

Tive medo: Da Clemilda que dormia debaixo da cama do meu tio.

Imaginava-a debilitada. Madeixas brancas, olhos vermelhos, pele flácida.
Enferma, feia e pálida.

A Cuca não me assustou, não pelo menos no consciente, onde tudo é mais claro, definível, decifrável. A Cuca não teve esse poder sobre mim, não passava de uma palavra jogada, sem importância, relevância. Apenas um nome sem qualquer influência. Algo que não me fez intimidar diante da hiperatividade da idade. "A cuca vai te pegar" Nem chegava a fazer cócegas, não fedia, nem cheirava.

Surgiu então a Clemilda, a moça que morava debaixo da cama do meu tio. Ficcional, inventada e bem original. Ela era só minha, só eu a conhecia. Repetida várias vezes pra fixar, criada pra suprir a incapacidade que a Cuca tinha de me domar. Criou vida então. Repetindo-se o nome terrível, minha imaginação buscou no inconsciente o que eu realmente tinha medo e ela nasceu dentro de mim. A Clemilda - moça velha, feia e meio zumbi. A detentora dos motivos pra que os pesadelos insistissem em me assombrar, capaz, enfim, de me domar.

Tive medo dela. Fantasiei sobre ela. Sonhei sobre ela.

Clemilda virou real. Podia vê-la na minha frente todo o tempo e ficava quieto pra que ela não me levasse pra sua morada. Tinha terror. Vivia pensando sobre maneiras de não ter que passar na frente daquele quarto e sobre como podia me livrar dela.
Pra minha sorte, a Clemilda sumiu, assim como boa parte daquelas lembranças. 
Talvez, ainda esteja viva em outra mente... mas,
Pra mim, até que me provem o contrário, a Clemilda existiu...
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