sábado, 19 de fevereiro de 2011

Ontem "é" sexta-feira...


Ontem sentamos no lugar de sempre. O cenário: Pessoas passando, correndo na sua pressa interminável... O barulho alto de som de carro misturado ao dos bares faz com que as musicas pareçam ainda mais chatas...

É a definição perfeita. 

As músicas são as de costume, até aí tudo certo. Seria estranho se por acaso alguém decidisse colocar algo que realmente valesse a pena desgastar nossos ouvidos. 

O ano mal começou, digo letivo, e parece que estou vivendo uma eterna sensação de déjà vu.

Fim de aula. Hora de relaxar. É basicamente isso todo dia, ou então, não tem aula e jogamos dominó horas e horas, sem exagero. Me incluir nesse mote não parece correto, pq sou do tipo que não tem paciência de esperar a minha vez e vou bisbilhotar ou atrapalhar a vida de alguém em outro campus, mais precisamente no campus de história ou, ainda, acessar meu MSN na biblioteca pelo hotmail. Tudo lá é bloqueado, uma chatisse.

“Quer comer?”, diz uma.

“Nada que tenha aqui!”, diz outra.

Ítala e Maria mais precisamente tentam chegar num acordo “alimentício” enquanto Rudney e Léo estão adiantados já degustando um caldo de entulhos, desses que são reaproveitados todos os dias e vendidos pra aqueles corajosos como eles.

Eu observo como sempre, sempre fico vendo quem entra e sai no portão – os olhos lá, os ouvidos na conversa pra não perder nem um ponto. Vejo que nada está resolvido, então me manifesto.

“Maria só come se Ítala comer!”, digo eu.

“Não, nada disso!”, diz ela.

Ignoro e percebo que também quero algo. “ Pede alguma coisa Maria que eu também peço.”

“Pq vc não pede?”, pergunta alguém.

“Pq só peço se mais alguém pedir!”

A discussão segue, enquanto a mesma trilha embala no fundo. Decidimos que queremos acarajé, comida bahiana, já que é sexta e se ela tiver que nos fazer mal, que nos faça nesse dia, pq temos o fim de semana inteiro para ficarmos bons da provável algazarra que ela fará no nosso organismo.

Seria perfeito, entramos na faculdade novamente pra resolver um problema e quando voltamos, nos damos conta de que a moça do acarajé decidiu tirar umas férias por hora.

Voltamos pro bar e a discussão volta ao ponto inicial.

Não dura muito até que decidimos comer fora, pra isso, temos que pegar um ônibus até o Gigo e dessa vez até que acontece rápido.

Eu e Ítala comentamos sobre como Maria e Léo formam um casal bonito. Ninguém percebe, não até que ela leia aqui no blog.

Bem, foi ai então que aconteceu...

Sempre me imagino como se estivesse num filme, e penso sobre como outras vidas estão agindo nesse determinado momento. Há pessoas felizes, tristes, com fome, fazendo sexo, bem, muitas pessoas fazendo sexo com certeza, ou então pensando em sexo.

Enfim...

De cara quando descemos já vemos uma movimentação. Vento forte, gente correndo pra lá e pra cá. Um cara passa com um cão enorme e eu lembro das manchetes de jornais. Fico com medo – tenho medo de cão que não seja meu, nunca se sabe.

Mais adiante um cara é arrastado até uma lanchonete, separado de uma provável briga. Ninguém liga muito. Estamos mais focados na comida, sempre olhando para os nossos umbigos.

Entre as duas opções, escolhemos a mais movimentada. Lógico, provavelmente a mais gostosa. Coisa rápida, ao ar livre. Comemos, conversamos e enquanto isso, a movimentação aumenta mais adiante. Ítala fica curiosa e Léo dá lição de moral, ele é sempre meio boa conduta. Não liga pra nada que não seja da sua conta.

Isso é até bom, mas...

Maria não aguenta a curiosidade e chama uma senhora que vem voltando de toda a agitação mais adianta no semáforo.

 “O que aconteceu ali?”, diz ela.

“Um cara levou uma facada na cabeça!”, diz, curta e grossa.

Léo arregala os olhos. “ Agora eu fiquei interessado!”

Mal dá tempo de digerirmos a noticia, junto do dendê e ele sai correndo, digo Léo. A seguir, pagamos a conta e vamos atrás. Pra nossa sorte, pelo menos visual, não chegamos a tempo de testemunhar tal cena.

Dada a minha dificuldade de digerir acarajé, seria capaz de vomitar ali mesmo se tivesse que dormir com a imagem de uma cabeça cortada.
        

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